sábado, 21 de março de 2015

UM SEM-NÚMERO

COMEMORA-SE, HOJE, 21 DE MARÇO, O DIA MUNDIAL DA POESIA


Dá-me espaço, tempo, loucura, e deixa-me pensar, escrever, divagar!
Interiorizo, pesquiso, apresento, alinhavo, bordo, enfeito e até invento
se necessário for, meu amor.
São dez símbolos, os números, que combinados ou não
de forma igual, diferente, banal ou desigual
edificam e solidificam uma infinidade, uma imensidade de valores.
São muito, mas muito mais, que porções ou quantidades
porque eles representam a base, o pormenor, a essência
a relação, o encaixe ajustado da Humanidade com o Mundo
e o nosso, como lerão, mais adiante, que é profundo.

UM - É a primeira manifestação de tudo, é a origem, o começo
 representa a primeira fase, etapa de qualquer coisa
que não se sabe, exatamente, o que vai ser
mas bem ou mal, ela será sempre algo.
É o número de elementos de um conjunto unitário, nós.
Olha-me, fita-me bem, deseja-me, denuncia-o, beija-me!

DOIS - É a segunda fase de todo este processo, do nosso afeto
que acompanha, alinda, completa o solitário um.
É o único par, que é, também, primo
e é este maravilhoso par, este apaixonado casal
que deu origem à Criação e à nossa paixão.
Aproxima-te mais de mim, toca-me, acaricia-me, balbucia!

TRÊS - É indescritivelmente divino, crível, enigmático e aprazível
simboliza a perfeição, os mistérios e a adoração.
Ele pode representar o passado, o presente e o futuro
o triângulo, logicamente, com três lados
a quantidade de pessoas da Santíssima Trindade.
Puxa-me para o teu corpo, louco, prende-me, sustem-me!


QUATRO - Encontrámos a estabilidade, o equilíbrio, a identidade.
A maioria dos animais usam quatro patas 
são, também, quatro as fases da lua
as estações do ano e os pontos cardeais
os meses de trinta dias, e os trevos de quatro folhas.
Sou tua da cabeça aos pés. Inicia já, o ciclo das nossas marés!


CINCO - É o símbolo de toda a gente, da Humanidade, de nós.
São quatro os elementos, e acrescento a Luz
porque sem ela nada se forma, constitui, cresce e evolui.
Cinco são as funções vitais e os sentidos
a estrela de cinco pontas, harmonia entre o corpo e a alma.
Continua! Não pares! Estou a sentir-me zonza, molhada, tonta.


SEIS - Representa os princípios, que aperfeiçoam a natureza.
É o número de faces de um sólido geométrico
cubo, poliedro regular com tantas aplicações, segundo li
tal como o número de pontas da Estrela de David
"Perfeição, Perseverança, Paciência, Prontidão e Prudência".
Ainda não! Espera! Aguenta, mais um pouco! Rápida, lenta!

SETE - É a natureza a vibrar, é pura magia, incitando-nos a amar.
São sete as cores do arco-íris e as notas musicais
as maravilhas do mundo e os pecados capitais
os sacramentos, as virtudes e as ciências naturais
o dia da Criação, e ao sétimo, Deus descansou.
Lambe-me, e percorre com a língua, o meu corpo em alvoroço!

OITO - É o entendimento, o amor, a amizade, a paz, o sentimento.
É, por assim dizer, em matemática, o cubo de dois
geralmente, horário de trabalho diário, de tanta gente
representa o que permanece em equilíbrio: a justiça
simbolizando, ainda, a ressurreição de Nosso Senhor.
Abre-me, entra em mim, carinhosa e despudoradamente! 

NOVE - É a manifestação da vida, que é, tantas vezes, um enigma.
É, também, o tempo da gestação de um novo ser
é, sem dúvida, o quadrado mais que perfeito do três
o algarismo de maior valor, absoluto ou relativo, sei lá eu
o sinalizador do fim da estrada, o guardião do último portão.
Vaivéns lubrificantes, agora quase, ah, ah, oh, oh, sim, vem! 

ZERO - É o algarismo que por si só não tem valor algum, nenhum
mas, devemos e temos de o lembrar e classificar
porque quando colocado à direita de um outro número
aumenta dez vezes o seu valor, pois então.
Por isso, não deve o zero ficar desolado e inconsolado
pois sem ele não haveria sistema de numeração.
Para ele qualquer número é zero, na presença do infinito
e para nós, para mim, eu não sou nada, sou zero
sem a qualidade e a quantidade do teu amor por mim
sem a grandeza e a omnipotência de Deus. Amém!


CÉU

quinta-feira, 12 de março de 2015

JOGO

Sempre que a nossa voz e o olhar se decidem encontrar
acho que perco o chão, o fôlego, a força, a respiração
sinto arrepios, suores quentes e frios, bato os dentes 
ficando o meu corpo em chamas, em brasa, demente
apetecendo-lhe imenso ceder aos crimes da vontade
que só a  nossa paixão, essa cúmplice, saberá  explicar.

Parece que  estou a ser puxada, hipnotizada e arrastada
pelo desejo de me juntar e de colar toda ao teu corpo
deixando-me levar, prender, acariciar e depois pecar
com a tua pele, a perder de vista, vasta e acetinada
e com os contornos, esses fatais demónios da tua boca
que me enlouquecem, esgaçam, penetram e trespassam.

Tu és o meu maior risco e estás sempre em qualquer sítio 
em todas as partes do meu corpo e em cada poro meu
bastando um levíssimo, um simples, um breve olhar teu
para a minha temperatura se desorientar e extrapolar
em transpiração, delírio, desorientação e total obsessão
que sequestra, que viola o ínfimo juízo, que ainda me resta.

Tu sabes bem despertar, mexer, animar os meus sentidos
aliciando-me, perturbando-me, sobretudo, viciando-me
levando o meu ser, este átomo sugado e destruturado
a ter pensamentos, a criar cenários impróprios, indecentes
que me deixam estonteada, desabrida, maluca, extraviada
de olhos enevoados, confusos, alterados e quase inconsciente.

Como se isto não bastasse, provocas-me sem dó nem piedade
lambendo e sorvendo a minha língua, que louca, desatina
oferecendo-me, dando-me, entregando-me a esse teu poder
que me torna submissa e escrava dos teus caprichos e vícios 
mas pasmem, fiquem a conhecer a parte caricata deste jogo 
em que eu e ele damos as  peças, à vontade, por gosto e gozo.


CÉU