EU, "CÉU"!

EU, "CÉU"!

segunda-feira, 21 de março de 2016

ASSALTO À MÃO DESARMADA


Comemora-se, hoje, 21 de março, o Dia Mundial da Poesia.


Palavra de honra, afirmo e juro que eu não sabia de nada
tinha acabado de chegar a casa, era já noite cerrada
estava a despir-me, apressada, mas sossegada
para me pôr à vontade, sem espartilhos e desafogada
preparando-me para o apetecível e aprazível banho 
quando senti alguém meter uma chave na porta de entrada.

Fiquei muda, em pânico e pensei que só podia ser ladrão
que de maneira sofisticada, profissional, na perfeição
se preparava para tudo me roubar e até me violar
e eu sozinha neste casarão. Meu Deus! Que aflição!
Encostei-me bem devagarinho à parede e baixei-me
para tentar resguardar-me do perigo e do misterioso vilão.

Enquanto ele caminhava, lento, eu nem sequer respirava
pois tinha receio que ele pressentisse o meu bafo
chegando, dessa forma, mais depressa a mim
pondo em risco o meu corpo e a minha vida, decerto
que tanto adoro, valorizo, aprecio, que desejo e prezo
e ser assaltada, daquele modo, era algo que não desejava.

Aproximou-se do meu cantinho, esconderijo do meu céu
que vasculhou, sorridente, carinhoso e paciente
até que me achou, me tomou, me abraçou e beijou.
Fiquei sem ação, perturbada, calada e assustada
pois era ele, vindo de longe, outra vez, asseguro-vos
para me raptar, como à bela Cinderela dos contos de fadas.

Eu, nua, deitada no peito dele, sentia-me bem, mas tremia
não sei se de pavor, fascínio, medo ou talvez amor
e só de estar a falar e a relembrar este caso verdadeiro
sinto a invadir-me, de alto a baixo, um doce arrepio
que me extasiou, embora com muito receio no momento
mas que não fui capaz de fazer parar ou disfarçar, a tempo.

Como o chão do meu quarto era em soalho e não atapetado
ele foi tirar do roupeiro mantas grandes e quentinhas
para me tapar e aquecer, deixando eu, assim, de tremer.
Gostei do gesto e fiquei emocionada, devo confessar
pois ele continuava a ser o mesmo amante maravilhoso
com atitudes que nos caem bem e que serão sempre de louvar.

Pouco a pouco, o meu corpo foi aquecendo e depois cedendo
permitindo que ele partilhasse comigo as mantas
que nos conheciam, tão bem nos sabiam e entonteciam
ficando ali, em comunhão e consumação, naquela fogueira
que nos ia amolecendo e derretendo, corpo e alma
numa cedência aberta, sem reservas e com mútuas entregas.

Com requinte, jeito e distinção, atributos que já lhe conhecia
afastou-se do vulcão, que o faria entrar em erupção
dirigindo-se à banheira por ele pensada, realizada e usada
mergulhando nela, sem emitir um murmúrio, som ou sussurro
para não dar a entender tudo aquilo que iria ali acontecer
pois conhecia muito bem a minha maneira de ser, sentir e reagir.

Do sítio onde me encontrava, espiava toda a sua movimentação
os cuidados exacerbados e os diferentes sais utilizados
numa frenética sensibilidade, luxúria, prazer e sensualidade
não ficando um milímetro da sua luxuosa e apetitosa anatomia
sem ter sido visitado e revisitado e muito bem lavado
na água cheirosa, que o banhava, alindava e lhe fornecia energia.

Sossegou, reclinado no espaço, e olhou-me de flor rubra na mão
atitude pensada, pois, talvez, preparação e provocação
que me começava a intrigar, a questionar e também a irritar
pois, não fazia a mais pequena ideia do que ele tinha maquinado
mas pensei que me estivesse a convidar para ir para o banho
não, não, pois não houve nem um sinal para tal. Que estranho!
Então, fingindo eu ignorar a cena, saí do quentinho e fui desanuviar.

Ao meu primeiro e único passo, saiu logo da banheira, determinado
barrou-me o caminho e pegou em mim ao colo, tresloucado
afagando-me ternamente e percorrendo-me da cabeça aos pés
sem hipótese de eu proferir, agir, dizer qualquer palavra
porque guardou a minha boca na sua, com firmeza e destreza
como ave de rapina ao agarrar, prender e manter a indefesa presa.

Estava então criado o cenário para uma entrega repleta e completa
que me aliciava, ou melhor, que nada, nadinha, eu recusava
porque a minha mente já não pensava, e já só sentia e desejava
e o meu corpo, madrigal de vontade, ansiedade, fogo posto
abriu-se e acendeu-se ao dele, em combustão viva e explosiva
bem mais intensa, brilhante, ativa e fulgurante que o luar de agosto.

E sem que eu desse por isso, aquele tratante, pôs-se atrás de mim
deslizando as mãos, treinadas e calejadas, pela minha pele
o maior órgão do corpo, produto inflamável, mas tão agradável
de forma ressabiada, elegante, provocatória e provocante 
mas cá entre nós, digo-vos, que a descarada não se fez rogada
e qual indiferença, qual consciência, qual raciocinar e qual decência!

Ele, que já nem me via, nem ouvia, portanto, em coma quase total 
avançou em contramão, perdido, naquela febril excitação
que não conhecia regras e sinais, e logicamente não obedecia
num desabrido rodopio, tateando-me de cor, um desvario
que lhe deu para fazer perícias com os meus seios, que delicias
mostrando que era um modelar conhecedor e um exemplar condutor.

Seguiu viagem, pondo à volta dos meus mamilos, hirtos e enrijecidos
doce de tâmaras, coco, chantilly, frutas tropicais e orientais 
porque sabia que gostava que me decorasse e depois provasse
num jogo de fatal sedução, afetos, cumplicidades e paixão
convidando-me a uma orgia, bacanal bilateral, prenhe de magia
fazendo-me eu vítima, desrespeitada e martirizada, que pretendia folia.

Bis! Que jogo tão bem executado no tabuleiro ressabiado e matreiro
onde nem sequer faltou a minha pérfida e fértil imaginação
pois sabia que podia ser atriz, amante, mulher, dama, meretriz
e assim alcancei-o pela boca, ai que coisa louca e pouca
pondo a minha língua a travar, para que ele não conseguir falar
atitude que não compreendeu, ficando na mó de baixo, desorientado.

Para remediar e salvar a questão, aproveitei para beijá-lo e sufocá-lo
descendo também pelo seu corpo, lambendo-o e excitando-o
até que se ouviram os primeiros gemidos, pelo cérebro fornecidos
tal como o produto espesso, sem corantes, nem conservantes
que tanto ansiava que apreciasse e que, apenas uma vez, provasse
suplicando-me que fosse naquela noite, que o fizesse e experimentasse.

Indecisa, não o querendo dececionar, e a muito custo, acedi ao pedido
mas de uma forma mais indireta e discreta, fugindo à tradicional
e assim coloquei as mãos, estrategicamente, sobre o seu baixo ventre
que já se encontrava em rebelião, bastava olhar tamanha ereção
massajei, melhor que profissional, depois agitei, por indicação dele
o seu falo e zonas circundantes, que pediam mais que pobre, exigiam
iniciando calmamente, a seguir, andamentos e depois velozmente
enquanto olhava os seus olhos fechados e a boca escancarada
sentindo-me personagem principal, de quem dependia tudo, afinal
e inspirando com o coração, assisti à avalanche paranormal, à inundação.

Passados alguns instantes, acendeu os olhos com cores raras e perfeitas
deixando transparecer dupla satisfação, barriguinha cheia, realização
e puxou-me para cima dele, como atriz chamada ao palco, em aplauso
beijou-me e sujou-me toda, o tonto, tão apaixonado e encantado
afirmando, sem demora, que o mundo até podia acabar naquela hora
porque sentira o melhor momento da sua vida com a mulher única e eleita.


CÉU