sábado, 14 de janeiro de 2017

QUASE

Lembras-te, será que ainda te recordas
que quase, quase, chegámos lá
ao ponto crudelíssimo e impiedoso
em que os ímpetos, desordeiros
despertam e desesperam as vontades
em que os desejos inclementes
deglutem tudo o que veem?
 
Foi por um quase, que não chegámos lá
e nem sequer chegámos a partir
pois os beijos afogaram as palavras
aves, corpos de arribação, soltos
que abriram asas e se emanciparam
em busca de prazeres mundanos
enquanto os olhares se leem.
 
Queres? Perguntaste-me, com voz terna.
És capaz de te lembrares disto?
Já estávamos nos tecidos da carne
e eu que tanto quis e esperei
tive forças para guardar o momento
o grandioso instante para depois
nas pupilas, que anteveem.

Nelas, tudo permanece igual para sempre.
Existirão impossíveis? Pensámos!
Questionamo-nos, prudentes, tementes
de uma resposta mal fadada
que não desejávamos, que chegasse.
Afirmei: não penses nisso, agora
pois tenho a certeza absoluta
que este nosso invulgar amor continuará
e que um dia havemos de ser eternos
mesmo de longe!


CÉU