Em cada poro meu, descobre o gosto bom
do meu corpo abrasador, subtil, em flor
com odor de jasmim, canela e cetim
na suavidade com que deslizam
os teus dedos finos pelas minhas formas
que percorres, onde habitas e dormes
extenuado e aliviado de devassidão
por estares toda a noite dentro de mim
explorando-me, pormenorizadamente
alimento integral, sustento que te ofereço.
Percorres a minha pele macia e moreninha
mergulhas no bruxedo dos meus olhos
incrivelmente alegre e apaixonado
tanto, que não sei definir-te.
A tua doce língua dorme na minha boca
devorando os sabores do meu palato
e assim aconchegado todo a mim
adormeces, açucarado, nos meus seios
altares, irrevogavelmente, profanos
onde se expulsam crendices e preconceitos.
Entregas-te à minha anatomia com ardência
acariciando as elevações do meu relevo
no meu corpo libertino e despudorado
qual planta, que se agita ao vento
que, propositadamente, sibila e acaricia
o firmamento, que para ti represento
ou ternura imensa, que te absorve
pernoitando em mim, viciado de prazer
que te dou ao amares-me cada dia
como se fosse o derradeiro das nossas vidas.
CÉU
segunda-feira, 22 de abril de 2019
quinta-feira, 21 de março de 2019
POETISA
COMEMORA-SE, HOJE, DIA 21 DE MARÇO, O DIA MUNDIAL DA POESIA. EIS A MINHA PARTICIPAÇÃO!
Se um dia, se hoje, vires uma mulher
uma mulher a chorar, arduamente
e se o encantador rosto dela
for um poema dotado e esculpido
deita-te a seu lado, cautelosamente
repousa o teu corpo sobre o dela
e alivia e mitiga as suas dores
pois a dor desaparece e naufraga
quando oferecemos minúsculos nadas.
Se a contemplares, essa fêmea sorrirá
e tu sorrirás, também, sem hesitar
acariciando-a, perdidamente
no desatino e anseio da tua boca
na tagarelice e na rigidez do teu sexo
em afagos ofegantes e constantes
como poema, somente, para ti
e que dele farás o que entenderes
na força das tuas impetuosidades natas.
Caso não vejas mulher, poetisa alguma
nem crianças chilreando por perto
senta-te na ausência delas
e espera, pois a noite é cúmplice
das vontades, que se insinuam
e as poetisas calam, pacientemente
mesmo se os teus ávidos braços
forem incitados pelo meu corpo nu
no ato em que me dou e me abandono.
Por ti estarei, obscenamente, possuída
e tu, homem idolatrado, também
mas se eu nunca te envolvi
tem cuidado, pois dos meus seios
brotam poemas quentes e delirantes
que na tua alcova de devaneios
contigo farão amor, inevitavelmente
logo e sempre que entumeceres
no frenesim da cópula e dos orgasmos.
Na ebulição dos beijos e dos abraços
despertaremos e poremos o isco
enquanto os poemas serão algemas
de cetim vermelho, frouxo e submisso.
CÉU
Se um dia, se hoje, vires uma mulher
uma mulher a chorar, arduamente
e se o encantador rosto dela
for um poema dotado e esculpido
deita-te a seu lado, cautelosamente
repousa o teu corpo sobre o dela
e alivia e mitiga as suas dores
pois a dor desaparece e naufraga
quando oferecemos minúsculos nadas.
Se a contemplares, essa fêmea sorrirá
e tu sorrirás, também, sem hesitar
acariciando-a, perdidamente
no desatino e anseio da tua boca
na tagarelice e na rigidez do teu sexo
em afagos ofegantes e constantes
como poema, somente, para ti
e que dele farás o que entenderes
na força das tuas impetuosidades natas.
Caso não vejas mulher, poetisa alguma
nem crianças chilreando por perto
senta-te na ausência delas
e espera, pois a noite é cúmplice
das vontades, que se insinuam
e as poetisas calam, pacientemente
mesmo se os teus ávidos braços
forem incitados pelo meu corpo nu
no ato em que me dou e me abandono.
Por ti estarei, obscenamente, possuída
e tu, homem idolatrado, também
mas se eu nunca te envolvi
tem cuidado, pois dos meus seios
brotam poemas quentes e delirantes
que na tua alcova de devaneios
contigo farão amor, inevitavelmente
logo e sempre que entumeceres
no frenesim da cópula e dos orgasmos.
Na ebulição dos beijos e dos abraços
despertaremos e poremos o isco
enquanto os poemas serão algemas
de cetim vermelho, frouxo e submisso.
CÉU
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