A minha pele acetinada, morena, desenfreada, crua e nua
flutua, banha-se à-vontade, e não se esquiva na tua
enquanto me contornas os lábios com a ponta da língua
mordiscando-me as orelhas, de todo, perturbando-me
lambendo-me as virilhas e a zona genital, obcecadamente
viajando nos seios sem regras, entrando em contramão
numa erupção bem mais estrondosa que a do Vesúvio
quando entra em atividade sem fornecer qualquer explicação.
Como não existem fronteiras, barreiras, nessa tua viagem
então o que me espera é que me devores, por inteira
sem pontinha de pudor, sem culpa, um horror
fazendo de mim uma iguaria e alucinogénia fantasia
que te enche as medidas, que te faz crescer água na boca
enquanto eu em estado de sítio, fico sem saber o que fazer
balbuciando, gemendo e gritando, de tanto prazer
que me transporta ao bordel mais frequentado, podem crer.
Como se isto não bastasse, calas a minha boca com a tua
afirmando, convencidíssimo: eu sei do que tu gostas.
Com estas tuas proferições, fico possessa, louca e acesa
defrontando-te e subestimando-te, ficando toda do avesso
fazendo pose progressiva para as lentes dos teus olhos
que sofridos, tristes, sedentos, como pássaro ferido
passam a ver-me, não em três dimensões, estás perdido
mas em dó sustenido maior, sem bemóis, meu amor querido!
Mesmo não tendo tu a visão maravilhosa, idílica e libidinosa
eu tenho a absoluta certezinha, que tu mesmo de longe
saboreias-me a carne, pele, alma e coração, o corpo, o rosto
e não deixas nem um ossinho, que me conforte e suporte
e mesmo assim, mergulhas, afocinhas nas minhas coxas
encontrando aí uma gruta bem tratada, limpa e nunca usada
que derrama águas cristalinas, puras, mágicas, divinas
que te assusta, te nega, e que de todo, não te deixa beber nela.
É nesse instante que a cama virtual se incendeia, em alvoroço
sem obedecer a nada nem a ninguém, a "revolucionária"
atitude que contrasta com o meu ar calmo de "reacionária"
que me provoca uma enormíssima satisfação, animação e gozo
provocando em ti um desespero destrambelhado e forte
mas como sabes, quem com ferros mata, com ferros morre.
E quando tudo parecia que estava a apaziguar e a terminar
começámos a fazer amor de novo, como se fôssemos lume e fogo.
CÉU