terça-feira, 12 de abril de 2022

PAUSA

 

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segunda-feira, 21 de março de 2022

O POETA

COMEMORA-SE, HOJE, DIA 21 DE MARÇO, O DIA MUNDIAL DA POESIA.

EIS A MINHA PARTICIPAÇÃO.


O Poeta é um deus supremo das palavras.

No início a sua imaginação ultrapassa

as imagens que surgem na sua mente

e atravessam o que ele não entende

nos mundos invulgares e transcendentes.


Ele imagina firmamentos em cada poema

conhecendo caminhos em cada visão

e sente sensações em cada exclamação.

Nas trevas, ele revela os abismos

nas águas, ele alivia a sua profunda sede.


A sua poesia une as noites frias e geladas

com o calor dos dias que vão chegando

as tardes chuvosas com as auroras

os passados saudosos com belos futuros

e o agora vivido com preguiçosas manhãs.


O Poeta é um deus criador de tantos versos

se ele finge ou não, só ele o pode afirmar

e os seus livros nascem iguais às estações.

No outono ele une os rascunhos escritos

no inverno, entorpecido e em hibernações.


Na primavera ele lança as sadias sementes 

nos corações recetivos de toda a gente 

e no verão, ele colhe a luz da sua atitude.

A obra do Poeta transcende a sua vivência

transforma-se num legado intemporal

e permanece insigne na lembrança do leitor.


CÉU

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

DELÍRIO

COMEMORA-SE, HOJE, DIA 14 DE FEVEREIRO, O DIA DOS NAMORADOS. EIS A MINHA PARTICIPAÇÃO. 


Sem eu saber lá muito bem de onde vinha

aquele cálido soprar, aquele bafejar

nos meus cabelos, no rosto e no corpo

que o recebia, o aquecia e crescia

ao contacto intenso e galopante do teu

num estado eufórico, louco.


Um encontro doce e de indescritível prazer 

tonificado, já em pedra, solidificado

viril, destemido, de rompante, abusivo

desordeiro, mas afável e seduzido

pela agitação e excitação do meu corpo

contra o teu, já quase fogo.

 
E queres e apoderas-te logo, logo de mim

tomando, perseguindo, conseguindo

o achar, o realizar do ponto de encontro

sonhado, desesperado, prometido

e o beijo com que me enlaças a boca

sabe-me a tão, a tão pouco!


As mãos ávidas, que queimam as roupas

abrem veredas, matagais, estrelas

e os olhos olham-se, falam, chocam-se

e ensinas-me o caminho, guias-me

com força neste impulso forte, convexo

estendendo a passadeira vermelha

escancarando todas as portas ao sexo

já a babar-se de tão frouxo!


Conheço, sei de cor, os teus íntimos sinais

os gemidos, o arfar, os gritos e os ais

a voz, a tua voz, desejando e exigindo

mais, sempre mais e muito mais

e a tua língua dominadora e guiadora

levando-me, pouco a pouco.


Finos e fortes perfumes, odores e sabores

pénis em ereção, ansioso, incontido

meu amor, vem, minha língua dançarina

ao teu render, quase vindo

em avalanches, pérolas e brilhantes

espessos, de muco, de ouro.


Manobras-me, manuseias-me, dobras-me

como flor breve, à mercê, leve

nas tuas mãos, desfalecendo, morrendo

e segues o vento tórrido

num voo despótico, sensual, erótico

e quando paras, és beijo rouco.


E eu em delírio, febre subindo, trepando

e tu em mim, feliz, naufragando

e tu em mim investindo, alagando-me

e eu usufruindo e gostando

até que as palavras, os uivos, os gritos

aconteçam da morte pequena.


E depois e logo de seguida, e sem parar

as coordenadas dos sentidos

contorcem corpo e alma em espasmos

em estrofes brancas e bordadas

que inventei e escrevi com o teu sémen

escorrendo devagar, aliviado

pela vegetação e botão da pradaria

que estremece e se agita e enlouquece

de prazer fundo, extenso, profundo

e somos só dois, nós, tu e eu

jazendo ali, anarquizados e sagrados

fazendo o amor deste e de outros mundos.



CÉU

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

REFLEXÕES

Este meu post foi baseado nas palavras de Baruch Spinoza, Filósofo Holandês que viveu no século XVIII, a propósito de Deus. 


O DEUS DE SPINOZA


Deixem de rezar e de bater com a mão no peito, porque não é isso que vos torna melhores pessoas. O que Deus quer que façamos é que saiamos do nosso lugar de conforto, passeemos, ajudemos os outros e disfrutemos da vida. Devemos divertirmo-nos, cantar, dançar e apreciar tudo aquilo que Deus fez para nós.

Deixem de ir às igrejas, aos templos macabros, sem vida, obscuros e frios, que vocês mesmo construíram e que acreditam ser a minha casa. A minha casa está nos montes, nas montanhas, nas planícies, nos bosques, nas praias, nos rios e em tudo aquilo que vocês veem. Aí é onde eu vivo e passo os meus dias, expressando o grande amor que tenho por todos vocês.

Deixem de me culpar pela vossa vida desgraçada e miserável, pelas doenças e por tudo aquilo que de mal vos aconteça, pois eu nunca vos disse que vocês eram pecadores. Deixem de ler livros a que chamam "sagradas escrituras", que nada têm a ver comigo, nem com as minhas intenções. Se não sabem olhar-me no nascer do sol, numa paisagem, num sorriso franco e vasto de uma criança, não me encontrarão, decerto, em nenhum livro.

Deixem de ter medo de mim, porque eu nunca vos julgo, nem vos critico, não me irrito e nem fico zangado e muito menos vos castigo. Eu sou o mais puro amor. Deixem de pedir perdão, pois não há nada para perdoar. Se eu vos fiz, vos enchi de paixões, de prazeres, de sentimentos, de limitações, de livre arbítrio, como posso eu vos castigar por serem como são, se fui eu que vos fiz? 

Acreditam que eu teria criado um lugar para queimar todos os meus filhos que têm comportamentos maus e incorretos até ao fim dos tempos? Mas que Deus é esse, que pode fazer todas essas coisas terríveis? Esqueçam os mandamentos, pois eles são artimanhas para vos manipularem, para vos controlarem e que só geram em vocês uma culpa constante e eterna. Respeitem o vosso próximo e não façam aos outros o que não gostariam que fizessem a vocês. A única coisa que vos peço é que tenham atenção à vossa vida e que estejam sempre alerta, visto que vocês são totalmente livres para fazerem das vossas vidas um paraíso ou um inferno.

Deixem de acreditar em mim, porque eu não quero que acreditem em mim. Quero sim que me sintam em vocês quando beijam os vossos familiares, os vossos amigos, ou acolhem nos vossos braços uma criança ou um idoso.

Deixem de louvar-me. Que tipo de Deus ególatra (egoísta, egocêntrico) vocês acreditam que eu seja? Sentem-se gratos? Demonstrem-no cuidando de vocês, da vossa saúde, do vosso bem-estar e das vossas relações com o mundo. Expressai a vossa alegria e felicidade. Essa é que é a maneira de me louvarem. Deixem de complicar as coisas e de repetir, como se fossem papagaios, o que vos disseram sobre mim. 

Não andem à minha procura fora! Vocês, dessa forma, nunca me encontrarão. Procurem-me dentro de vós. É aí que eu estou. Verdade. Dentro de vocês.


CÉU  

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