sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

MENINO JESUS


Numa noite de inverno gélida, mas condescendente
tive um sonho fenomenal e transcendental
em que vi o Menino Jesus descendo do Paraíso
enquanto atirava beijinhos às estrelas e cometas.
Veio, de mansinho, pelos beirais do caminho
saltando, correndo, brincando com as ervinhas
fazendo que as puxava e até as arrancava
mas de maneira tão distinta, divina e tão diferente.

Vejam lá bem! Ele tinha-se escapado do firmamento
e como Grandioso, Supremo e Misericordioso
não se podia fazer passar por alguém
embora representasse a génese de toda a gente.
Como criança, achava o céu, sorumbático
onde lhe eram permitidas pequenas travessuras
mas, ao mesmo tempo, tinha de ser adulto
e essa de uma vez por ano ser pregado na cruz
simbolicamente, como todos nós sabemos
não lhe agradava nadinha, pois representava tortura.

Em contrapartida, Ele até tinha dois pais e uma mãe
um, de nome José e carpinteiro de profissão
outro, de nome Deus, fazedor de tudo
e Sua mãe, de nome Maria, jovem e sem mácula
que O deu à luz, com amor, miraculosamente.
Todavia, tudo isto era confuso para a Sua cabecita
que preferia ignorar, descontraidamente
embora soubesse da Sua maravilhosa e santa História. 

Então, o marotinho e quando Deus estava repousando
e todos os santos, ao redor Dele, também
foi à arca segredeira dos milagres
por mera brincadeira, como se dela necessitasse
e olhando à Sua volta e à socapa, tirou três.
Com um, fez com que ninguém soubesse da Sua fuga
com outro, fez-se para sempre, Homem-Menino
e com o terceiro, fez um Cristo, em forma de escultura.

Depois, sem pensar nem hesitar, foi visitar o astro rei
pedindo-lhe boleia, e aí veio Ele, contente
no primeiro raio de sol, que apareceu.
Maravilhado com os lugares por onde ia passando
observou um lugarejo, numa peneplanície
onde viu uma casinha branquinha, que era a minha.
Bateu à porta, mas o malandrito escondeu-se
para ver a minha reação, ou com medo de um sermão.

Lógico que não fiz tal, antes abri a porta de par em par
sorrimos um para o outro, embevecidos
ficando Ele para sempre lá a morar.
Senti-me tão feliz, pois já tinha com quem brincar
falar disto e daquilo, enfim, desabafar
pois Ele era o melhor de todos que eu conhecia!
Riso leal e celestial, mas um tanto irrequieto
pois quando nós brincávamos à apanhada
não sei como Ele conseguia ou que poder possuía
que sabia sempre onde eu estava. Era Jesus, eu sentia!

Era tão fraterno, que fazia que já não podia correr mais
só para eu sair vaidosa, feliz e vitoriosa
alegrando-me e premiando-me.
Vou revelar-vos! Adora chapinhar nas poças de água 
atirar florinhas coloridas às menininhas
diverte-se, enxotando os animais que vai encontrando
mas como criança, fica medrosa e até chorosa
se algum deles lhe ladra ou se assanha.
Sugeri-lhe que atirasse pedrinhas aos bicharocos
pois, seguramente, eles fugiriam a sete pés, como loucos.

Pegar na pedrinha Ele pegou, e até, docemente, a atirou
só que ela voou longe e não lhes acertou
transformando-se em boa comida.
Ora, a bicharada ficou sarapantada, mas deliciada
e correndo para Ele, saltaram em alvorada
gerando-se ali tamanha confusão, melhor, bendição
acompanhada de raios de luz, sem igual
que deixaram cair pétalas enluaradas e muito perfumadas.

Nas nossas conversinhas, Ele sabe e domina as matérias
de uma forma eloquente, simples, inteligente
mas, aqui entre nós, tenho de dizer-vos
que Ele, por vezes, faz queixas pequeninas do Pai
que não o deixa fazer disparates, extrapolar
mandando-O, em vez disso, amar o Seu semelhante
dar aconchego a todos, uniformemente
e se necessário, dar a vida pela Humanidade, sem recuar.

Ele mora na minha casinha branquinha, como já afirmei
e é a criança, o Deus que faltava na minha vida
que me acompanha para toda a parte
protegendo-me de toda a maldade, abençoando-me.
Com uma das Suas mãos, ampara-me
e com a outra, salvaguarda tudo o que existe
para que nada falhe, nem ninguém sofra no mundo.
Eu sei que há situações, que não entendemos
pois Ele é perdão, compaixão e salvação
mas, tenho a certeza, que Ele é o Menino Jesus do Amor.

Vocês não sabem, não imaginam, como nos damos bem
quer em casa, quer na rua, ou em outro lugar
porque Ele está sempre pronto a ajudar
a desculpar os erros dos outros, a redimir, a perdoar
sem nada pedir, sem rotular, nem afastar.
Ah, como me sinto bem, compreendida, idolatrada
e quando Lhe falo dos erros dos Homens
das maldades, das inúmeras atrocidades cometidas
Ele lamenta e tem pena de tudo isto
mas diz-me que a situação é temerária, mas temporária.

Quando Ele se deixa dormir, adoro deita-lo e embala-lo
contar-lhe historiazinhas lindas, de encantar
que sei que as ouve e as conhece de olhos fechados
pondo nelas, todavia, muita atenção.
Aí, sinto o meu instinto maternal a evidenciar-se
sabendo que Ele dorme dentro do meu peito
e quando acorda durante a noite, nem faz birrinha
antes se diverte a aumentar e a baralhar os meus sonhos.

Pretendo fazer-te um pedido, meu adorado Menino Jesus!
Posso dizer o que desejo, amado Senhor?
Quando eu morrer, pega-me ao colo, como eu Te fiz
e transporta-me para a Tua casa universal
onde todos, mas todos, cabem
retira as vestimentas do meu ser bastante cansado
deita-me na Tua caminha e embala-me
até que nasça aquele dia, que somente o Teu Pai sabe
e conduz-me à eternidade, numa nova terra
onde reinem a harmonia, o entendimento e a alegria
onde todos sejam irmãos, de facto!
ASSIM SEJA, SENHOR DEUS! PAI-NOSSO, AVÉM MARIA!


CÉU



NOTA: este poema foi inspirado no de Alberto Caeiro, "Poema do Menino Jesus".

sábado, 12 de novembro de 2016

FINALMENTE

Estamos, tu e eu, esta noite, e finalmente, frente a frente
para o encontro há tanto sonhado.
Os nossos olhos afagam os nossos corpos
e desvendam segredos e anseios
que desejamos imensamente dizer um ao outro e satisfazer.
 
Aproximas-te e embaraças-te no meu corpo impertinente
beijas o rosado dos meus lábios
e quando sentes da minha parte, pressão
afastas-me, sentido, mas decidido
como que a querer demonstrar-me, que não tens pressa.
 
O desejo arrebatador, o nosso, deve manter-se à distância
no ritmo ideal de seiva controlada
estar no ponto, disse-te, com subtil firmeza.
Afastaste-me, de novo, com ligeireza
mas, por artes e manhas, o meu vestido foi caindo ao chão.
 
Viste, então, pela primeira vez, os meus seios redondinhos
que apalpaste com as mãos
enquanto que os seus mamilos assomados
despertaram em ti vontades múltiplas
de os esfregar, os amarrotar e esmagar, sumptuosamente.
 
Mas não, não o realizaste, ao contemplar bem o meu olhar
antes os acariciaste, suavemente
usando a língua e os lábios semicerrados
e eles, ávidos, deixaram-se beijar
enquanto o meu corpo frouxo, se entregava, entusiasmado.

Com as minhas duas finas mãos, tentei erguer-te a cabeça
para, reconhecidamente, te abraçar
mas tu resististe a esta agradável tentação
e continuaste a circular com a língua.
No entanto, e como que por artes mágicas
caíste de joelhos, a meus pés, já não dando para aguentar.

Calcorreaste-me, de alto a baixo, e nem um só poro faltou.
Beijaste-me a adoraste-me os pés
as pernas, as coxas, as virilhas, que lambeste
e pressionaste-me para que afastasse as pernas
e te deixasse olhar a gruta, com estalactites e estalagmites.

Paras, e começas a analisar e a radiografar bem o meu olhar
como que pedindo autorização para a penetração
mas agora sou eu quem te agarra a cabeça
puxando-te para cima, beijando-te sofregamente.
Agora sim! O beijo é mais demorado e mais aprofundado
e a minha língua gosta de ser provada e aprisionada
na tua boca, que a sabe saborear e refrescar
de maneira que, não se importa nada de para lá se mudar.

Abraçados e embrulhados, ambos rolando um pouco às cegas
acercámo-nos, bem rapidamente da cama
onde me deitaste de costas, idolatrando o meu corpo
até que o cobriste de beijos e carícias duplicadas
às quais não resisti, permitindo que fizesses de mim
uma mulher ainda mais ardente, esfomeada e destrambelhada.

Tomei agora o comando e beijei-te, de novo, mas por etapas
e fui descendo, lenta, como que a castigar-te
pelo tempo que me fizeste, por vingança, esperar
e quando entendi e me apeteceu, pus os meus lábios
na glândula rosácea do teu apetitoso sexo
com jeito, sensibilidade, extraordinária perícia e sensualidade.

Beijei-a e saboreei-a, demoradamente, e quase fiquei parada
humedecendo-a e refrescando-a com a língua
retardando o inevitável apogeu, o clímax.
O prazer subiu-te pelo corpo, e eu, vingativa, não parei
e com a língua e os lábios semicerrados
abracei o estame que massajei, lenta e velozmente
e que ameaçou deitar fora o gozo há tanto tempo embalsamado.

Esforçaste-te imenso, eu sei, notei, para que tal não sucedesse
e vendo eu a tua excitação, doida, incontrolada
com o firme e sagrado propósito de retardar a entrega
subi ao teu corpo, encavalitando-me, sem rede
e com cuidado extremo, máximo, embora demasiado lento
para o nosso estado de convulsão
fui encaixando, de forma tépida, o teu androceu no meu gineceu.

Uma flor ainda apertada, quente e húmida, mas tão motivada
o que denota, que estava pronta para te acolher.
O ambiente da minha casa e do quarto, em particular
ajudou toda a ação, a entrega e a doação
e eu tinha tido o cuidado de preparar o cenário
colocando, de propósito, laços vermelhos nos candeeiros
o que dava aos nossos contornos, luxúria
umas velas de aromas da natureza, diversificados
e tudo isto associado a uma viril música ambiente. É indecente!

Os nossos corpos identificaram-se, logo, logo, um com o outro
falaram a mesma Língua, mesmo sem falarem
e comportaram-se como se conhecessem há muito
numa onda de à-vontade e espontaneidade.
A luz da lua espreitou e penetrou por entre os cortinados
acelerando ainda mais a excitação e desejo
e tu como criança, cavalgaste em mim, inconsequentemente
puxando as rédeas, pronunciando ais roucos e loucos
e eu ajudando à festa, apertei as tuas nádegas com as mãos
beijei, lambi o teu rosto suado, cansado, mas aliviado
enquanto, se fez ouvir, um suspiro prolongado
enchendo de luz, excitação e satisfação, este e muitos mundos.


CÉU

O MUNDO PASSA POR AQUI