sábado, 24 de abril de 2021

SONHO-TE


Sonho-te tantas vezes, mais do que as que devia

e nesses sonhos todos, procuro-te e quero-te

e exijo muitas respostas também.

Já me não queres e o nosso amor terminou

pois o teu coração está bem ocupado

sem mais espaço para mim. Será isso possível

Será?


Em todos esses sonhos meus, eu não te tenho

excetuando no de ontem, não sei o motivo

e em que te abracei, demoradamente.

Fechei os meus olhos, e senti o melhor de ti

e não te larguei, alienada, como era de prever

enquanto o teu corpo se deixava afagar e amar.

Porquê?


Perguntei-te por ela e sem reservas desabafaste

dando-me a resposta que sempre quis ouvir

e que há anos a esperava e adivinhava.

Fizeste questão de me lembrar, como vingança

que também eu tinha há tempos um "amor"

esse que tu julgas que me possui de corpo e alma.

Como te enganas!


Bem sabes que os meus pensamentos e coração

sempre foram teus, sempre te pertenceram

e a ilusão de que te esqueci é totalmente falsa.

Continua a agonia de saber que habitas em mim

que ainda aqui estás, deambulando silencioso

tendo eu consciência de que é errado gostar de ti.

Ainda.


Nunca quis voltar atrás e mudar o meu passado

mas se pudesse, se fosse possível, se...

nunca te teria conhecido. Como sou mentirosa!

Foste e és o amor da minha vida, tu sabes

e sei também que nunca mais te irei ver

embora não deseje reconhecer esta vil verdade.

Não!


Uma felicidade que durou tão pouquinho tempo

e a dor que perdura e que não quer sair

do meu peito gasto, que tu tão bem conheces.

Se eu pudesse não existias ainda na minha vida

passassem os anos que passassem, doridos

mas, apesar de tudo, continuam a fazer sentido.

Juro!



CÉU

domingo, 21 de março de 2021

TODO O POETA


COMEMORA-SE, HOJE, DIA 21 DE MARÇO, O DIA MUNDIAL DA POESIA. EIS A MINHA PARTICIPAÇÃO.


Todo o poeta é toda a vida um infeliz sofredor

porque muitas vezes não soube ser amado

e por mais que ele se faça desentendido 

e ainda que tenha um universo de palavras

é pura fantasia, fascinação, ah, pobre, coitado!


Tem, pois, um ou vários amores para escrever

todavia se o tem, jamais o possui para amar

como se um demónio por perto andasse 

uma divindade vil e cruel a ele se enlaçasse

vingando-se o poeta no papel, lápis e na arte.


Todo o poeta é um fingidor, como todos dizem

e isso escreveu um fingidor, de nome Pessoa

porque é capaz de convencer quem o lê

e os seus versos só ao puro amor se dirigem 

não sabendo o poeta de onde ele, afinal, vem.


Ele é apenas um, só um, e estradas não tem

e escrevendo tenta encontrar algum rumo

mas mal sabe onde lhe cabem as mãos

vivendo por isso nas linhas e entrelinhas

refletindo o que ele passou, e sofreu e amou.


Todo o poeta delira e adora padecer e sofrer

saboreando as dores que tanto o magoam

todavia, delas se diz assaz necessitado

e flagelado, busca-as, invocando-as, louco

beijando-as e querendo-as sempre a seu lado.


Todo o poeta é assim, e sempre assim será

escondendo no amor os seus tormentos 

mentindo-lhe a vida, tão desgraçadamente

chamando felicidade à dor que ele fabrica

na loucura consciente e também inconsciente.


CÉU

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